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Parceria com a Intervisão

on 4 Outubro, 2023
A Psicofix tem uma parceria com o consultório “Intervisão” onde fazem terapia familiar e terapia de casal. As sessões são aproximadamente de 1h30 e por norma são de 3 em 3 semanas.

Edifício Cruzeiro, no Largo da Cruz de Celas, 2º Andar, Sala 30
3000-132 Coimbra.
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Anafilaxia: impacto na qualidade de vida

on 14 Outubro, 2022

Apesar do número de estudos do impacto da qualidade de vida em doentes com anafilaxia ter vindo a aumentar nos últimos anos, ainda se verifica uma grande lacuna nesta área de investigação.

Sabemos que uma reação anafilática pode ser traumática e pode trazer desafios adicionais. Alguns estudos relatam que jovens adultos alérgicos a alimentos, que sofreram reações anafiláticas, apresentavam níveis de ansiedade elevados e os seus pais eram mais protetores do que pessoas alérgicas que não tiveram reações graves.

Num sistema de saúde em que a abordagem centrada no doente é agora favorecida, a pesquisa sobre a qualidade de vida em pacientes com anafilaxia pode fornecer meios para melhorar a sua gestão, o cuidado e as experiências dos pacientes, mas também das suas famílias.

É evidente que a experiência da anafilaxia tem um impacto psicossocial nas crianças, adolescentes, adultos e também nas suas famílias. Em particular, a constante vigilância necessária, a evicção alimentar restrita e a experiência diária de gerir a doença têm um impacto direto nas atividades diárias, pelo que é importante avaliar ao longo do tempo esse impacto.

Por vezes, é importante envolver os adultos na compreensão das suas emoções e torná-las mais adaptativas. Após uma reação anafilática, os doentes podem sentir alguma vergonha ou perda de confiança no exterior, que pode levar a um medo de julgamento e potencial isolamento social. Nalguns casos podem mesmo não ser capazes de identificar quais os sentimentos que experienciaram e que implicações isso está a ter no seu dia-a-dia.

A intensidade  e a complexidade das reações emocionais pós-anafiláticas têm muitas vezes influência na qualidade de vida desse doente, assim como a idade, o género, o país e a cultura. Estudos relatam que normalmente mulheres têm indicadores piores de qualidade de vida a gerir a doença dos seus filhos do que os homens, enquanto os adolescentes estão em maior risco de reações adversas relacionadas com a sua autonomia.

Percebemos que o risco de ter uma reação está sempre presente, sendo que o quando, como e onde ter essa reação pode aumentar o medo, ansiedade, vergonha ou frustração sentida e, consequentemente, ter um maior impacto na qualidade de vida do paciente que experienciou a anafilaxia.

É relevante continuarmos na direção das abordagens multidisciplinares, com uma equipa de cuidados integrados que pode consistir no imunoalergologista, enfermeiros psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, entre outros. Esta abordagem multidisciplinar pode preencher a lacuna entre atender apenas às necessidades físicas do paciente e atender também às necessidades psicossociais dos indivíduos que já experienciaram uma anafilaxia.

Esta perspetiva de atenção biopsicossocial integrada, onde profissionais médicos e outros profissionais de saúde mental trabalham em colaboração com pacientes pós-anafilaxia, pode ser relevante no trabalho terapêutico destes doentes e, consequentemente no aumento da sua qualidade de vida.

Cátia Lopes

 

(artigo publicado aqui)

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(Re)Começar: O indivíduo enquanto principal agente da mudança

on 4 Janeiro, 2021

Podemos definir mudança como um processo pelo qual algo ou alguém se torna diferente do que era; como alteração, modificação, transformação; como a introdução de uma nova forma de fazer algo.

Muitos são os que, no início do ano, definem novas metas, sendo que, muitas delas envolvem mudanças significativas e, muitas vezes, complexas, nomeadamente quando dizem respeito a pensamentos, sentimentos e comportamentos. Estas exigem maior envolvimento, compromisso e motivação.

Prochaska e DiClemente (1999) descrevem a prontidão para a mudança como estágios motivacionais nos quais o indivíduo transita. A mudança comportamental é um processo em que as pessoas têm diversos níveis de motivação, de prontidão para mudar (Oliveira, Jaeger & Schreiner, 2003) e os estágios motivacionais são flexíveis.

Segundo Prochaska e DiClemente (1999) na fase de pré-contemplação não existe, de uma maneira geral, consciência do problema nem intenção de mudar. Os outros, por exemplo, amigos e familiares identificam o problema, mas o indivíduo não.  No estágio de contemplação o indivíduo já pensa, reconhece o problema, mas não faz nada. Na fase determinação ou preparação é concretizada a intenção de modificação e mudança, mas falta planeamento da ação. No estágio seguinte – ação – o indivíduo já está a fazer algo para a mudança, colocando em prática a mudança conforme planeado. No estágio manutenção continua-se a trabalhar nos resultados obtidos nas etapas anteriores. Por fim, na fase recaída o sujeito aprende e recomeça mais consciente.

Conhecendo todos os estágios/fases e sabendo que é o principal agente de mudança, identifique um problema, o estágio onde se encontra e o que precisa fazer para alcançar o estágio seguinte.

Bom (re)começo.

Ana Rosa

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Mediação escolar: uma poderosa ferramenta na cultura da paz

on 15 Outubro, 2020

É cediço que a escola é um espaço de grande diversidade, bem como palco de discussões das mais variadas naturezas, sobretudo em face de fenômenos como a globalização. Nesse sentido, entendemos que cada vez mais deve-se aprimorar as relações interpessoais e de clima escolar no propósito de uma educação  voltada à paz, à não violência, à gestão de conflitos.

Afinal, o que é paz?  Durante muito tempo o conceito de paz esteve ligado à ausência de guerra. Na cultura ocidental, por seu turno, o conceito de paz sofreu influência da tradição greco-romana, passando a ter uma conotação mais positiva e mais ampla, conectando-se a outros conceitos como o de justiça, por exemplo.

Atualmente, o conceito de paz passou por uma releitura de forma a contemplar uma dimensão social, humana e cultural. É nesse sentido que defendemos que as instituições educacionais devem contemplar em seu conteúdo o conceito de cultura de paz e de convivência, esta última entendida como cultura de tolerância e respeito às diferenças.

A escola deve ser um espaço de convivência, ou seja, um espaço de construção de saberes, de tolerância, de aprendizagem. Traçar um plano de convivência não significa negar a existência do conflito, ao contrário, reconhece-se que o conflito é algo natural. Em outros termos, o plano de convivência escolar centra-se no manejo adequado dos conflitos.

A mediação escolar se apresenta como uma poderosa ferramenta no manejo adequado dos conflitos, notadamente por envolver vários atores da comunidade escolar tais como alunos, professores, pais, direção, etc. A mediação escolar tem como pilares a participação, a colaboração e o respeito.

Através de programas de mediação escolar, os estudantes resolvem seus conflitos de forma rápida e satisfativa, através da aplicação de técnicas como a escuta ativa, o rapport, o parafraseamento, dentre outras. É importantes destacar que um programa de mediação escolar deve ser pensado e desenvolvido conforme a realidade de cada escola, considerando suas peculiaridades.

Tão importante quanto os conteúdos curriculares é o desenvolvimento das relações interpessoais. Nesse sentido, entendemos que crianças e jovens devem ser estimulados a participarem de atividades coletivas, grupais, sempre tendo em vista o compartilhamento de experiências, trocas.

Através de atividades dessa natureza os alunos têm a oportunidade de lidarem com conflitos, aprendendo a resolvê-los de forma construtiva, através de uma comunicação assertiva.

Deve-se ressaltar que tais práticas cooperativas devem se estender para além dos muros da escola, albergando outros atores da comunidade escolar, somente nesse propósito é que construiremos uma sociedade mais pacífica, harmônica e empática.

Urge, cada vez, o desenvolvimento de hábitos e valores que fortaleçam vínculos de solidariedade, de tolerância, de respeito. Trata-se de um exercício diário de conscientização e de promoção de uma cultura de paz e de convivência.

 

Macela Nunes Leal

Mediadora

Advogada

Mestre em Resolução de Conflitos e Mediação

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TERRORES NOTURNOS E PESADELOS

on 21 Abril, 2020

Na situação atual que estamos poderá haver um aumento na frequência de pesadelos ou terrores noturnos, pelo que consideramos um tema relevante para discutir no nosso blog este mês.

Entre os 3 e os 8 anos é frequente existirem alguns transtornos ligados ao sono, episódios estes que tendem a desaparecer ao longo do desenvolvimento da criança.

No entanto, é importante em primeiro lugar fazer a distinção entre terrores noturnos e pesadelos:

  • Os pesadelos são sonhos que estão associados a sentimentos de medo ou ansiedade e que normalmente decorrem passado algumas horas de adormecer. A criança nestes casos costuma acordar e lembrar-se do que estava a sonhar e muitas vezes esses pesadelos podem estar associados a alguns acontecimentos ou situações que criaram ansiedade ao longo do dia.
  • Os terrores noturnos são episódios em que a criança está muito assustada e angustiada, mas que não está completamente desperta, não se recordando do que se está a passar. Estes terrores normalmente ocorrem nas primeiras 3 horas de sono e são menos frequentes que os pesadelos.  

O que podem fazer para ajudar a prevenir estes episódios?

  • Mantenha uma rotina durante o dia e em especial na hora de deitar (lavar os dentes, contar uma história, diminuição da luminosidade à medida que chega a hora de dormir, apagar a luz e dar um beijo de segurança, podem ser bons exemplos de rotina).
  • Evite que a criança tenha acesso a notícias mais impressionantes, ou mesmo desenhos animados mais agitados, ao final do dia.
  • Não lhe dê bebidas com cafeína, tais como a coca-cola ou mesmo ice-tea.
  • Evite que a criança fique demasiado cansada durante o dia.

O que podem fazer caso a criança tenha um pesadelo ou terror noturno?

  • No caso dos pesadelos, deve falar para a criança com voz calma para ela se sentir segura e tranquilizá-la até esta adormecer novamente.
  • No caso dos terrores noturnos, não deve acordar a criança mas apenas deitá-la de forma calma e serena sem a despertar. Ela no dia seguinte não se irá recordar de nada.

Sabemos que hoje todos estamos mais ansiosos e agitados e esses sentimentos facilmente podem ser transmitidos para as crianças.

Caso necessite de algum apoio para lidar com estas situações, contacte-nos que faremos uma consulta por videochamada.

Cátia Lopes (Psicóloga)

www.psicofix.pt

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Dia Escolar da Não Violência e da Paz

on 30 Janeiro, 2020

No dia 30 de janeiro celebramos o Dia Escolar da Não Violência e da Paz, uma celebração instituída a partir da comemoração do “ENIP”, que foi criado em 1964 pelo educador e pacificador espanhol, Llorenç Vidal Vidal, para assinalar a data da morte de Mahatma Gandhi.

A paz não pode ser mantida à força. Só é atingida pelo entendimento”

Já dizia Albert Einstein.

Esta comemoração pretende sensibilizar para a necessidade da cultura de não-violência e da paz nas escolas, incentivando a atos que tenham como resultado a consagração da paz mundial. O grande objetivo deste dia é que cada um nas escolas faça algo pela paz.

A escola tem uma grande função nesta tarefa de educar para a paz e para a não-violência. É possível trabalhar neste contexto o princípio da paz, integrando esta educação numa ótica de transversalidade do currículo não formal.

Educar para a paz e para a não-violência pressupõe ensinar e aprender a resolver e gerir conflitos. É perceber que o conflito está presente de forma constante na nossa sociedade como uma manifestação da diversidade de interesses, culturas e necessidades. Não há soluções mágicas, mas existem mecanismos que permitem pensar e resolver conflitos de forma diferente e que promovem a cultura da paz.

A pensar nisso, segue de forma muito breve alguns dos princípios que as escolas, isto é, todas as pessoas das e nas escolas, devem promover neste grandioso trabalho que é educar para a paz e para a não-violência:

  • Criar igualdade e equidade nos vários e diferentes contextos educativos – as crianças não são todas iguais tanto ao nível da aprendizagem e das emoções, como das suas vivências e contextos;
  • Prever situações de conflito e não ter receio de dialogar sobre os mesmos – fugimos dos conflitos como se de algo negativo se tratasse;
  • Gerir de forma positiva e controlada as situações de agressividade – gerir positivamente não significa aceitar, muito menos ignorar, mas antes comunicar e responsabilizar;
  • Optar pelo diálogo e negociação cooperativa, suprimindo a cultura do vencedor/vencido, culpado/inocente, certo/errado – soluções de ganhar-ganhar;
  • Promover, defender e alimentar valores como a justiça, a liberdade, a cooperação, o respeito, a solidariedade, o compromisso, a autonomia, o diálogo e o envolvimento, em detrimento da discriminação, da intolerância, da violência, da indiferença e do conformismo;
  • Proporcionar situações que favoreçam a comunicação e a convivência, numa lógica de empowerment, reconhecimento e legitimação dos envolvidos;
  • Participar e criar atividades relacionadas com a paz, solidariedade e resolução positiva de conflitos em que todos são envolvidos no seu planeamento e conceção;
  • Criar climas cooperativos, democráticos e positivos no contexto de sala de aula e em todos os restantes contextos relacionais de escola – a cultura de escola só se constrói assim;
  • Fomentar a reflexão, a troca de argumentos, pontos de vista e opiniões numa lógica de crescimento e empatia, difundindo estes princípios regularmente por todos os agentes da comunidade educativa – não é só a informação que muda comportamentos;
  • Apostar no trabalho em grupo e projetos educativos coletivos, em que se faz uso de técnicas de reflexão e desenvolvimento moral, debate de experiências, clarificação de valores, discussão de dilemas e formas alternativas de resolução de conflitos, mais uma vez, envolvendo todos os elementos da comunidade educativa (alunos, docentes, assistentes operacionais, técnicos, etc.);
  • Apostar numa cultura de escola, numa ótica de compromisso educativo – um professor sozinho não tem o mesmo impacto/efeito.

Estes princípios potenciam no processo de ensino-aprendizagem relações fundamentadas pela paz entre alunos-pais-professores-escola. Trata-se de extrapolar esta vivência de não-violência e paz para fora da escola. Levar de dentro para fora, mas também de fora para dentro, numa inter-relação constante e equilibrada em que todos temos o nosso papel fundamental.

Porque o que nós fazemos é importante e se eu conseguir avançar um centímetro pelo caminho ‘certo’, então já estou a contribuir com a minha parte.

Feliz Dia Escolar da Não Violência e da Paz!

Mónica Nogueira Soares

PhD, Psicóloga| Formadora| Mediadora familiar e escolar

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Consumos que nos consomem ou a busca natural pelo prazer?

on 27 Novembro, 2019

“De maneira alguma a adolescência é a época mais simples da vida”

Janet Erskine

A tendência natural do adolescente é orientar-se pelo prazer. Torna-se, assim, necessário compreender os mecanismos que levam a este comportamento, não tomando as consequências como causas, mesmo que as consequências sejam as preocupações imediatas de pais e educadores.

As influências dos media com os seus intensos apelos para a busca de prazer sem limites e as transformações dos comportamentos, hoje mais permissivos do que ontem, constituem fatores externos muito citados para os consumos dos jovens. A isto aliam-se as características próprias do adolescente, as suas modificações hormonais, a busca da independência e da identidade, a tendência para a indisciplina e o gosto pela aventura. Está assim constituído o “caldeirão” onde fermentam, crescem e se desenvolvem os jovens, preparando-os para a vida adulta (Feijó e Oliveiral, 2001)[i].

Comportamento de risco

Comportamento de risco pode ser definido como a participação em atividades que possam comprometer a saúde física e mental do adolescente. Muitas dessas condutas podem começar, apenas, pelo carácter exploratório do jovem, assim como pela influência do meio (grupo de pares, família). Caso não sejam precocemente identificadas, podem levar à consolidação destas atitudes, com significativas consequências nos níveis individual, familiar e social. Contudo, o conceito de risco deve ser compreendido de uma forma o mais abrangente possível, ultrapassando os critérios biomédicos e atingindo variáveis sociais e de comportamento.

Intervenção preventiva

A intervenção preventiva não é apenas uma questão de atitude individual, uma vez que tal lógica faz de cada indivíduo em particular, um culpado em potencial (Fonseca, 2002)[ii]. Desta forma, no campo semântico da prevenção dos consumos de substâncias psicotrópicas a adoção do conceito de vulnerabilidade (ao invés de comportamento ou grupo de risco) poderá permitir construir novos objetivos e práticas mais coerentes. Desloca-se, assim, a posição do educador (esteja num serviço de saúde ou na escola) de um lugar autoritário, de quem determina quais são os comportamentos adequados e estabelece a censura aos indivíduos que não os adotam, para uma posição dentro de uma relação dialógica, em que as alternativas de prevenção possam ser construídas paralelamente ao processo de ampliação de cidadania. É que uma análise centrada no conceito vulnerabilidade parte do pressuposto de que os indivíduos não são culpados, mas que também têm responsabilidade e capacidade de transformação da sua própria história (Soares, C. e Jacobi, P., 2000)[iii].

A escola, devido à natureza educacional do seu trabalho e à possibilidade de acesso aos jovens é considerada, em todo o mundo, o locus privilegiado dos programas de prevenção dirigidos aos adolescentes.

Contudo, se o discurso e a prática dominantes na área de prevenção de drogas seguir a tradicional máxima de “guerra às drogas”, isto acabará por produzir discursos autoritários, que não estimulam a crítica por parte dos jovens, além de se imprimir “um clima de pânico” e amedrontamento entre eles (Acserald, 1989, cit. Soares, C. e Jacobi, P., 2000). No entanto, para os jovens, é muito difícil acreditar nessas mensagens, pois ao experimentarem drogas ou ao questionarem os seus pares que as consomem, encontram sensações e relatos incompatíveis com tais informações.

Desta forma, prevenção num contexto escolar (e em qualquer outro) poderá, antes, significar a adoção de programas comprometidos com uma visão mais realista e menos reducionista da problemática das drogas (a perspetiva de “redução de danos”) (Cohen, 1993, cit. Soares e Jacobi, 2000; Duncan et al., 1994, cit. Soares e Jacobi, 2000;). Esta forma de prevenção aceita um leque de objetivos no sentido de minimizar os prejuízos que possam advir do uso de drogas, e, portanto, não visa somente à abstinência como única meta aceitável. Este movimento da redução de danos associados às drogas representa também, no campo educacional, uma mudança. Isto porque o uso de drogas parece constituir-se – pelo menos no que diz respeito ao uso ocasional – numa experiência encarada como “normal” e bastante disseminada (Buzzi, 1993, cit. Soares e Jacobi, 2000). Assim sendo, os programas escolares necessitam de incorporar e disseminar informações verdadeiras sobre drogas e sobre os polos que atuam nessa teia, para que os jovens possam dispor dos elementos de que necessitam para compreender esse processo.

Educação preventiva

Essa abordagem dá maior abertura para abraçar uma educação preventiva que “capacite” os indivíduos e grupos. Ao conhecer e analisar criticamente as contradições sociais, os adolescentes podem apoderar-se dos elementos necessários para fazerem escolhas positivas durante sua trajetória, em vez de se voltarem contra si mesmos como alvo da sua própria desintegração social.

À escola caberá, então, a responsabilidade – como uma agência de socialização – de apreender a realidade de seus jovens, sendo que as estratégias preventivas podem ser desenhadas no sentido de que se atue a partir das interações sociais e formas de socialização que acontecem a partir do entorno social mais próximo e que são mais reconhecidas e valorizadas pelos adolescentes.

Patrícia Ribeiro

Psicóloga em contexto escolar

Formadora

Doutorada em Ciências da Educação


[i] Feijó, R. e Oliveiral, E. (2001). Comportamento de risco na adolescência.Jornal de  Pediatria,  77 (Supl.2)

[ii] FONSECA, A. Prevention of Sexually Transmitted Diseases and AIDS in the school environment, Interface -Comunic, Saúde, Educ, v.6, n.11, p.71-88, 2002.

[iii] Soares, C. e Jacobi, P. (2000). Adolescentes, Drogas e AIDS: Avaliação de um Programa de Prevenção Escolar. Cadernos de Pesquisa, nº 109, p. 213-237, Março

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O dia das bruxas

on 24 Outubro, 2019

Com o aproximar do dia das bruxas deixamos algumas sugestões de atividades para realizar com os mais pequenos. Aproveite o fim de semana para passar mais tempo com o(s) seu(s) filho(s), faça algumas atividades que aumentem a coesão familiar, partilhe as suas tradições e entre abóboras, morcegos e bolachas assustadoras, entre no espírito e desfrute de um dia das bruxas verdadeiramente divertido.

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Qual seria a sua idade se não soubesse quantos anos tem?

on 1 Outubro, 2019

Devemos olhar para o envelhecimento sob uma perspetiva negativa? Porque envelhecemos estamos a perder as nossas capacidades? Não necessariamente. Pode acontecer que alguns de nós experienciem um envelhecimento patológico, o que não significa que isso só venha a acontecer na idade adulta avançada. Podemos ser jovens adultos e por algum motivo (doença, acidente…) começamos a envelhecer de um modo patológico. O envelhecimento, ou desenvolvimento, como gosto de lhe chamar, não deve ser visto como um processo negativo. A idade cronológica de cada um é uma contagem cumulativa dos anos que vivemos, mas não deve determinar os nossos comportamentos, as nossas atitudes ou os nossos padrões cognitivos e emocionais. Somos seres biopsicossociais, e como tal, cada um de nós deve parar para refletir acerca da forma como se sente física, psicológica e socialmente. Independentemente da idade que se tem. Se não soubéssemos a nossa idade cronológica, que idade psicológica consideraríamos ter? E idade social? Esta é uma reflexão pessoal que nos pode conduzir a um autoconhecimento mais aprofundado e que nos pode levar a modificar a nossa forma de estar na vida.

Não é porque alguém entra na idade adulta avançada que passa a ser inútil ou incapaz. Lembremo-nos de que o envelhecimento/desenvolvimento é um processo contínuo que se inicia com o nascimento (ou se quisermos com a conceção) e só termina com a morte. Mudanças, sejam elas de valência positiva ou negativa, fazem parte da vida, em qualquer uma das suas etapas (infância, adolescência, idade adulta…). E sim, há perdas que são inevitáveis com o passar dos anos, mas também há ganhos (ex.: sabedoria)! Envelhecer não é sinónimo de adoecer! O envelhecimento é um fenómeno individual e, como tal, cada um pode e deve escolher ser agente ativo neste processo. Em qualquer uma das fases das nossas vidas podemos agir no sentido de modificar os nossos comportamentos, as nossas crenças, as nossas atitudes. Um adulto idoso não tem que estagnar, pelo contrário, como noutra etapa da vida, deve continuar a investir no seu desenvolvimento positivo.

O fundamental é lembrarmo-nos de que somos muito mais do que aquilo que a sociedade nos diz que somos pela idade que temos, e assumirmos que o envelhecimento saudável é uma escolha e um compromisso pessoal. Um compromisso, antes de tudo, com a manutenção da saúde, prevenção das doenças evitáveis ou das complicações das doenças inevitáveis.

Este compromisso pressupõe, entre muitos outros aspetos, cuidar da nossa mente e do nosso bem-estar emocional. A mente desempenha um papel central na nossa vida! Haverá alguma coisa que façamos que não envolva a mente?! A resposta é clara: não! Então torna-se óbvio que é fundamental investir algum do nosso tempo a cuidar da mente e da saúde emocional. Adotar uma postura positiva perante a vida, definir e concretizar objetivos pessoais, criar e manter relacionamentos positivos com os outros, realizar atividades estimulantes para o cérebro podem ser os primeiros passos a dar para observar grandes mudanças na sua vida!

Vejamos o envelhecimento pelo seu lado positivo! Viver durante mais anos é uma grande conquista para o Ser Humano, pela qual nos devemos sentir gratos ao invés de nos lamentarmos. Envelheçamos ativos, investindo no nosso crescimento pessoal, aprendendo sempre e vivendo com sentido!

Sílvia Gameiro

Psicóloga e Presidente da Direção na Aposenior – (Universidade Senior de Coimbra)

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Da Gratidão à Parentalidade Consciente

on 21 Setembro, 2019

Acredito que ter um filho(a) é ter sido presenteado com o dom da vida. Ainda assim, também sei que ser pai ou mãe, é um tremendo desafio. E por essa razão, relaciono muitas vezes a parentalidade à gratidão. “Como assim?!”, estarão desse lado a pensar…

Vamos por partes…

O que é “gratidão”?

Considero a gratidão um dom. Um dom que cada um de nós tem, diariamente, a opção de se presentear. Basta, para isso, tomar consciência de situações pelas quais podemos ser gratos, alinhando a nossa atitude nesse sentido.

O que é “atitude”?

Atitude não significa comportamento em si, mas antes uma predisposição para pensar se agir de determinada maneira, perante um estímulo social (seja uma pessoa, uma situação ou um acontecimento). É como se fosse um padrão de ideias ou uma forma de organizar/processar informação.

Neste sentido, as atitudes precedem a ação (sejam palavras, comportamentos, escolhas ou ausência delas) e, como tal, exercem uma importante função cognitiva e de regulação do comportamento. Porquê? Porque este mesmo comportamento pode derivar em resultados favoráveis ou desfavoráveis.

O que tem “gratidão” a ver com “atitudes”?

A gratidão é uma atitude!

O autor Jon Kabat-Zinn[1], Médico e Mentor ocidental do Mindfulness – também conhecido por prática da atenção plena ou presença consciente – incluiu a Gratidão nas suas 9 atitudes de Mindfulness[2].

A gratidão, segundo o seu mentor, tem demonstrado ser uma das atitudes mais positivas a cultivar, já que demonstrou ter um relacionamento único e poderoso com o nosso bem-estar.

O que faz o Mindfulness?

A origem do Mindfulness advém das práticas budistas com mais de 2500 anos. Mas foi em 1979 que começou a ser difundido e usado para fins terapêuticos no ocidente por Jon Kabat-Zinn e seus colaboradores, na Clínica de Redução de Stress da Universidade de Massachusetts, através de programa denominado de MBSR Mindfulness Based Stress Reduction. Este programa também já se encontra disponível em Portugal.

Em Mindfulness, a observação do momento presente faz-se livre de julgamentos, uma observação consciente e propositada, sem certo nem errado, sem julgamento e com atenção e presença consciente no aqui e agora – o que de si já é libertador!

Só podemos estar e ser gratos quando estamos cientes do momento presente. E o Mindfulness é o ponto de partida para a gratidão.

Gratidão na Parentalidade

Relaciono, frequentemente, o dom da gratidão com o dom da parentalidade. E tal só é possível se nos tornarmos conscientes dos momentos em que estamos presentes.

A parentalidade é uma função que não requer experiência prévia na área, nem habilitações académicas que certifiquem os pais a saber sê-lo, de acordo com um determinado molde pré-definido de “pais perfeitos – filhos perfeitos”. E os filhos também não nos chegam com livros de instruções.

Pela exigência constante a que os pais são sujeitos, a parentalidade consegue provocar uma autêntica montanha russa de emoções (e ações), sendo que, já todos percebemos por experiência própria, as emoções mais desagradáveis são as que têm mais impacto e tendem a perdurar mais tempo.

Com a prática, treina-se a resiliência

O termo “resiliência” surgiu com os estudos de Boris Cyrulnik[3] sobre a diversidade de reações após momentos potencialmente traumáticos (após a II Guerra Mundial).

Cyrulnik referia que “a nossa história não determina o nosso destino” já que somos nós quem decide como encarar os acontecimentos, ou seja, escolhemos uma forma consciente de processar a informação.

Ainda segundo o autor, “os resilientes nunca perdem a capacidade de ver que as coisas podem melhorar no futuro, embora o presente seja doloroso”. Todas as experiências, quer sejam agradáveis, quer sejam desagradáveis, são igualmente úteis! E tudo que vem, fica um pouco, e vai. É este o ciclo (e impermanência) da vida.

Por esta mesma razão, a prática da atitude da gratidão na parentalidade, permite aos pais tornarem-se, progressivamente, mais conscientes. E esta tomada de consciência, tende a proporcionar-nos perspectivas diferentes, construtivas e resilientes.

Psicologia Positiva

Não é demais relembrar que o movimento da Psicologia Positiva surgiu para equiponderar a reputação que a Psicologia foi adquirindo ao longo da sua existência, associando-se a esta ciência conceitos de doença, patologia e tratamento.

A psicologia positiva veio afirmar e reforçar todo o potencial positivo do ser humano, criando uma atuação de prevenção, motivação, abertura a novas possibilidades. E por “positivo”, entenda-se, construtivo, evolutivo, útil. E o estudo do conceito de resiliência encontra a sua orientação na psicologia positiva!

Parentalidade Consciente

Com os contributos do Mindfulness e da Psicologia Positiva, os pais de hoje, têm todo o potencial para praticarem uma parentalidade consciente, tornando, assim, esta experiência única no mais intensivo curso de desenvolvimento pessoal.

E eu, como mãe, sou grata por todos os momentos impactantes de aprendizagem que os meus filhos me proporcionaram. Pois todos eles foram úteis para me ajudar a tornar em quem eu quero ser.

Aos pais que, que gostariam de levar a sua parentalidade a um nível ainda mais consciente, estarei por aqui, disponível para ajudar e crescer nas partilhas. E a gratidão por terem chegado até aqui, é um belíssimo ponto de partida.

Até breve?


[1] Professor Emérito em Medicina; fundador da Clínica de Redução do Stress e do Centro de Atenção Plena, na Universidade de Medicina de Massachusetts. Praticante de Yoga e Budismo; membro fundador do Centro Zen de Cambridge.

[2] https://www.spm-be.pt/2014/12/9-atitudes-de-mindfulness-kabat-zinn.html

[3] Cyrulnik estudou medicina na Universidade de Paris e formou-se em Psicanálise e Neuropsiquiatria, determinado a compreender os acontecimentos da sua própria vida. Dedicou a sua carreira maioritariamente ao estudo e tratamento de crianças traumatizadas.

Joana Madureira

Psicóloga, Formadora e Tutora

Facilitadora de Parentalidade Consciente

Mentora da Schola – Educar para a Felicidade


[1] Professor Emérito em Medicina; fundador da Clínica de Redução do Stress e do Centro de Atenção Plena, na Universidade de Medicina de Massachusetts. Praticante de Yoga e Budismo; membro fundador do Centro Zen de Cambridge.

[2] https://www.spm-be.pt/2014/12/9-atitudes-de-mindfulness-kabat-zinn.html

[3] Cyrulnik estudou medicina na Universidade de Paris e formou-se em Psicanálise e Neuropsiquiatria, determinado a compreender os acontecimentos da sua própria vida. Dedicou a sua carreira maioritariamente ao estudo e tratamento de crianças traumatizadas.

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